Alucinação
Na neblina intensa
Arrisquei imensa
Dor que não sentia
Na febre que fazia
Queixo a tremer
Logo ali jazia
Nada repartia
Corpo a arder. Já na mão a pena
Pensa em escrever
A velar a cena
Mas é tão pequena
No peito a gemer
A paz e a solidão
Não consegue ver
Tudo é escuridão. E na imensidão
Do amanhecer
Lá de longe o mar
Fica a escutar
E sem perceber
Vem a inspirar
Mesmo sendo triste
Mais uma canção. Dizendo que existe
Em cada coração
Sem nenhuma ilusão
Mesmo do mais cruel
Do que tem mais fel
Uma simples gota
De cisterna rota
Do amor do céu.
E que vale a pena
Descrever a cena
Daquela morena
Já despindo o véu
Febre a ocultar
No Infeliz a realidade
Que na mente vem
Como uma verdade.
Oh! Dor que vem
E cedo não vai
Sucumbindo a alma
E tirando a calma
Confusão a me angustiar
Triste e enfadonha vida
Terrível e detestável lida
Morte, venha me levar.
Poeta Camilo Martins
Aqui,hoje,20.09.08
Escrito por Poeta Camilo Martins às 22h34
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Pensamento ao léu
Que a boca da noite me engula
Se a gula do saber e o que me irrita
Quanto mais na boca a coisa se derrete
Mais na noite a irritar do sabor se estrangula.
Estrumbica quem na boca da noite se intromete
E da grande farra a farfalhar ao léu, do céu, do fel...
Quero Fazer a boca engrandecer gulosamente o mel,
No pestanejar de cada estrela tua, na lua, espaço sideral.
Vamos seguindo a nuvem passageira, sem passagem pelo universo
Só o verso e que tem vazante pelas veias escuras das nebulosas claras...
Tenho vontade de cruzar o mundo, para chegar ao pensamento teu, sem rumo...
E rumando assim ao inverso da roda, girando sem fim num grande buraco negro.
Borbulhando assim
Vejo transparente
A dança louca
Das peripetrácias.
Interplanetárias...
Galáxias que eu
Nunca vi ou vejo
Só no céu da boca.
Brilhantes sóis da
vida que se vai...
Da imaginária vida
Que cedo já se foi.
Poeta Camilo Martins
Aqui,hoje,29.09.2008
Escrito por Poeta Camilo Martins às 22h20
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Eu e o rio
De um lado era o cais
Dos outro, os babaçuais.
A velha ponte a nos olhar
E nós ali juntos a amar.
Quanta água eu amei
E todas passaram, eu sei...
E foram para o mar sem fim,
Mas ficaram dentro de mim.
Jamais esquecerei as águas...
Nada cura minhas mágoas!
Meu rio hoje é de lágrimas...
Quando viro da vida as páginas.
Ainda vejo, lá no horizonte...
O sol se pondo atrás do monte,
E ali, nós dois, eu e o rio...
E das aves se ajuntando, o pio.
Levarei por toda vida essa sorte
Rio Parnaíba - que nem a morte
Tire de nós a doce essência
De ter ficado juntos na existência.
Poeta Camilo Martins
Aqui,hoje,13.11.08
Escrito por Poeta Camilo Martins às 22h07
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Eternamente Dom Quixote
Ao relento
Lento
Lentamente
A caminhar.
Macilento
Cilente
Tristemente
A soluçar.
Sedento
Ao vento
Levemente
A balançar.
Somente
A mente
Ao nada
Não sente.
Vaga [mente]
Os pés
Na areia
Tão quente.
Veemente
Nas visões
Entorpecentes
Tropegamente.
Enfrentamento
Inevitavelmente
Na luta
Gigantemente.
E na esperança
Sendo forte
Mesmo parecendo
Sancho pança.
Certamente
Eternamente
Quero ser
Dom Quixote.
(De la mancha)
Poeta Camilo Martins
Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h55
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Diante da eternidade
Vislumbro com serenidade
Essa grande possibilidade
De, diante da eternidade
Com toda fraternidade
Reunindo a cidade
A maternidade
Toda idade
Sem nenhuma vaidade
Na maior veracidade
Não mais crueldade
Nem necessidade
Será raridade
Capacidade
Piedade
Conquistar a tal felicidade
Diante da humanidade
Agora e só bondade
Muita fidelidade
Mais caridade
Sem maldade
Ou Saudade
Daí teremos todos igualdade
Sem nenhuma disparidade
Haverá sim, pluralidade
E até racionalidade
A Nacionalidade
Personalidade
E divindade.
Não veremos mais a insanidade
Na mais profunda densidade
Ficou lá na profundidade
Com sua malignidade
E a sua falsidade
Intranqüilidade
Impiedade.
Nesse momento toda a mocidade
Terá sempre, assim, imunidade
Dentro da sua simplicidade
Respeitando a virilidade
Amar a modernidade
A generosidade
E moralidade
Serão coisas do passado a ansiedade
A tão ruim e temida perplexidade
E a não menos ruim temeridade
Teremos proporcionalidade
Vigorará a amabilidade
Também viabilidade
E a sociabilidade
Teremos uma grande cumplicidade
Vamos ter a mesma mentalidade
Sem o controle da natalidade
O poder de ter praticidade
Sem essa de autoridade
Temos Intimidade
Com integridade
Continuará a boa e sadia sexualidade
Ainda que sem portabilidade
Não haveria durabilidade
Por causa da dualidade
Muita flexibilidade
Sem finalidade
E qualidade
Será mesmo tudo uma novidade
A senha para essa validade
O espelho o da verdade
No coração celebridade
Espírito da liberdade
De estoicidade
Hombridade.
Poeta Camilo Martins
Aqui,hoje,09.01.09
Escrito por Poeta Camilo Martins às 21h45
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